segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Pulsação - Felícia Ferreira

Se eu moresse já não mais respiraria e muito menos viveria
Há vida na morte
Esplêndida e de muy glamour
Chama-me de my Love e me mata
Enfia no meu peito a estaca antes que eu sugue todo o seu sangue na calada da noite
Meu lado maior você já conhece e provaste do puro veneno da mi alma
Rasga este véu que cobre os olhos e te faz ser santo
Revela também em ti parte de mim
A marca que tanto temes gravada em tua pele
Negue e fujas para sempre como a caça do caçador
Mais nunca deixarás de ser o que realmente és, o que no fundo eres
Antes que esqueça a morte é o meu fim
O meu fim também é o seu fim porque se tu me mata, também se matas.
Nossa tristeza nem se compara com o infinito tamanha é a dor que sentimos
Não me peça pra ignorar nossa conjugação, sou segunda pessoa e contigo plural
Ti afaste desse cálice, não bebas o que poderás matar-te em pouco
Sua morte não serás minha morte
Continuarei a matar para não morrer
Acabe agora com a tortura que aflige o teu coração
Dissemina o tão curto e glorioso amor que entre nos se iniciou
Bem assim como as palavras vagam ao vento, a morte vaga em nós
Chore ô doce amor! Que o tormento já está por fim
Cruel foi o destino em ter deixado nos cruzar, permitindo tamanha desgraça
Lembre-se que ti avisei do perigo da secante obsessão por mim
Por ti e por mim, por todos que ainda hão de morrer
E também pela água, pelo ar, fogo e terra
Te dou o que tenho de mais valioso
Dou-me a ti, e por ti agora morro.

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