Era tarde da noite quando entrei naquele ônibus com destino
ao Maranhão. Lembro-me bem daquela viagem a qual conheci o meu doce bem-querer.
Eu estava sentado na poltrona 14 ao lado de um moleque que não ficava quieto.
Uma hora ele pedia passagem porque queria ir ao banheiro, na outra já era para
pegar a mochila e quando não, roncava feito leitão. Já impaciente levantei-me
para trocar de lugar, foi nesse momento que avistei duas poltronas vazias, logo
pensei “Estou com sorte, vou poder até deitar!”.
Como todos já sabem alegria de pobre dura pouco. Pouco
demorou e apareceu a ocupante de uma das poltronas. Fiquei sem jeito, confesso,
pedi desculpas e perguntei se o outro lugar estava ocupado e se eu poderia
ficar ali. Foi quando ela deu um sorriso de canto e com uma voz irônica me
respondeu “Oh neh? E tem jeito? Você já está ai agora fique”. Meio encabulado
com aquela situação percebi naquela brutalidade o tão nordestina que aquela
moça era. Me deparei a observa-la.. era uma moça mulata um tanto queimada do
sol, de cabelo longo e escuro, meio
magrinha e com um sinal preto quase em forma de coração na mão direita. Meus
olhos se detiveram naquele sinal, minha mente percorreu em lembranças de um
alguém a quem muito eu tinha amado.
O ônibus seguiu viagem até que por volta das 4 horas da
tarde chegamos ao destino final, Imperatriz do Maranhão. Eu nunca havia descido
de um ônibus com tanta ansiedade e alegria como naquele dia, peguei as minhas
malas, levantei a cabeça aos céus e agredi a Deus por ter chegado bem, e agora
ali estar com a minha família e minha filha.. a tal moça marrenta da poltrona
ao lado, era ela a minha filha, Terezinha.
Felícia Ferreira

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