terça-feira, 13 de outubro de 2009

Pulsação - Felícia Ferreira

Se eu moresse já não mais respiraria e muito menos viveria

Há vida na morte

Esplêndida e de muy glamour

Chama-me de my Love e me mata

Enfia no meu peito a estaca antes que eu sugue todo o seu sangue na calada da noite

Meu lado maior você já conhece e provaste do puro veneno da mi alma

Rasga este véu que cobre os olhos e te faz ser santo

Revela também em ti parte de mim

A marca que tanto temes gravada em tua pele

Negue e fujas para sempre como a caça do caçador

Mais nunca deixarás de ser o que realmente és, o que no fundo eres

Antes que esqueça a morte é o meu fim

O meu fim também é o seu fim porque se tu me mata, também se matas.

Nossa tristeza nem se compara com o infinito tamanha é a dor que sentimos

Não me peça pra ignorar nossa conjugação, sou segunda pessoa e contigo plural

Ti afaste desse cálice, não bebas o que poderás matar-te em pouco

Sua morte não serás minha morte

Continuarei a matar para não morrer

Acabe agora com a tortura que aflige o teu coração

Dissemina o tão curto e glorioso amor que entre nos se iniciou

Bem assim como as palavras vagam ao vento, a morte vaga em nós

Chore ô doce amor! Que o tormento já está por fim

Cruel foi o destino em ter deixado nos cruzar, permitindo tamanha desgraça

Lembre-se que ti avisei do perigo da secante obsessão por mim

Por ti e por mim, por todos que ainda hão de morrer

E também pela água, pelo ar, fogo e terra

Te dou o que tenho de mais valioso

Dou-me a ti, e por ti agora morro.

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