quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Augusto dos Anjos

Considerado por alguns como poeta simbolista, Augusto dos Anjos(1884-1914) apresenta na verdade uma experiência única na literatura universal: a união do Simbolismo com o cientificismo naturalista. Como poeta, sua é de grande originalidade.

Os poemas de sua única obra, Eu(1912), chocam pela agressividade do vacabulário e pela visão dramaticamente angustiante da matéria, da vida e do cosmo. Integram a linguagem termos até então considerados antipoéticos, cmo escarro, verme, germe, etc. Os temas, igualmente, são inquientantes: a prostituta, as substâncias químicas que compo~em o corpo humano, a decrepitude dos cadáveres, os vermes, o semêm, etc.

Além dessa " camada científica" de sua poesia, verifica-se, por outro lado, a dor de ser dos simbolistas, a poesia de anseios e angústias existencias, provável influência do pessimismo do filósofo alemão Arthur Schooenhaur.

Para o poeta, não há Deus nem esperança; há apenas a supremacia da ciência. Quanto ao homem, as substancias e energias do universo que o geraram, compondo a matéria de que ele é feito- carne, sangue, instinto, células-, tudo fatalmente se arrasta para a podriadão e para a decomposição, para o mal e para o nada.

Em síntese, a poesia de Augusto dos Anjos é marcada pela união de duas concepções de mundo distintos: de um lado, a objetividade do átomo; de outro, a dor cósmica, que busca o sentido da existência humana.

[Fonte: William Roberto Cereja / Thereza Cochar Magalhães]

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