
De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas umigas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.
==>Vinicius de Morais usando o soneto traduzio os seus sentimentos, que limitados aos catorze versos, ainda que em longos decassílabos, deu ao seu poema uma densidade sentimental muito grande.
Esse poema fala da separação,mas não é apenas da separação entre marido e mulher, e sim da separação dos amigos, de quando você esta alegre e de repente fica triste, separação dos seus familiares, separação que nós mesmos provocamos dentro de nós, ao estarmos acostumados com o bem, e por ventura praticamos o mal, onde nos distanciamos da realidade.
E desse modo o autor procura criticar a realidade, e também as atitudes e sentimentos das pessoas. Mostra como podemos mudar de repente nossos sentimentos, pois somos seres sujeitos a mudanças de comportamento.
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