sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

O Coveiro - Augusto dos Anjos

Uma tarde de abril suave e pura
Visitava eu somente ao derradeiro
Lar; Tinha ido ver a sepultura
De um ente caro, amigo verdadeiro.

Lá encontrei um pálido coveiro
Com a cabeça para o chão pendida;
Eu senti a minh´alma entristecida
E interroguei-o: "Eterno companheiro

Da morte, quem matou-te o coração?"
Ele apontou para uma cruz no chão,
Ali jazia o seu amor primeiro!

Depois, tomando a enxada, gravemente,
Balbuciou, sorrindo tristemente:
-"Ai, foi por isso que me fiz coveiro!"


==> pendida- baixa
jazia- enterada
gravemente- rusticamente
balbiciou- falar baixo

Por todos os lados a dor. O amor não se concretiza.

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