sábado, 29 de maio de 2010

Pela avenida - Felícia Ferreira

Corro pela avenida...
quantos bateram-se no cruzamento comingo,
quantos mortos iguais a outros mortos,
quantas faces iguais a outras faces...

Todos passando por muitos
(enquanto eu sou mais uma que passo passado)
e percruto seus movimentos, suas buzinas, seus olhares.

Vejo indo,
Vejo vindo,
gente sorrindo, gente cansada, gente humilde...
me vejo sozinha chorando
e imagino, quanta gente chora o pranto
guardado, escondindo pela vergonha
de chorar pela avenida.

Na avenida passa tudo, passam todos
passa o dia, o barulho, a noite, o silêncio
até os vivos e mortos passam
E seus edifícios, seus postes, seus orelhões
também olham, sondam e testemulham
a tudo e todos que passam
pela avenida.

Um comentário:

  1. Olá!
    Obrigada pelo comentário,vim agradecer e conhecer seu blog.Adorei seu poema.
    Ah vou ver algo sobre o assunto que vc sugeriu.
    Bjus
    Bronye

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